O Marquês de Pombal foi tão importante que tem uma estátua numa grande praça, cá em Lisboa. Mas a estátua não é só dele: ao seu lado, está um leão. O Marquês chamava-se Sebastião e o leão não tem nome oficial, mas o Marquês trata-o por Campeão.
O Campeão não é um leão de bronze comum. Quando anoitece e fica quase escuro, ele sacode-se, dá um rugido mansinho, despede-se do Marquês e vai passear por Lisboa.
Às vezes, desce devagarinho a Avenida da Liberdade, a cumprimentar os gatos e os passarinhos que ainda andam por lá. Raramente encontra uma criança, até porque já é hora de os miúdos estarem na cama, depois do banho e do jantar. Mas, quando encontra, acontece algo mágico: só quem tem menos de 11 anos consegue falar com ele! Conversam um bocadinho e o Campeão segue o seu caminho. Se estiver uma noite quentinha, vai até ao rio Tejo nadar um pouco, porque ele detesta o frio.
Uma vez, o Campeão viu um homem malvado a tentar roubar a mala de uma senhora. Deu um rugido fortíssimo e avançou! O ladrão apanhou tal susto que fugiu a correr, tropeçou e caiu direitinho nos braços da polícia. A senhora sorriu e soprou um beijo ao Campeão. Ele não lhe disse nada, porque ela já era crescida, e ele só fala com gente pequena.
Antes de o sol nascer, o Campeão voltou para a estátua e contou tudo ao Marquês de Pombal. O Marquês piscou-lhe o olho e disse: Fizeste muito bem, Campeão! Por bem ou por mal, há que defender a gente de Portugal.
[Texto a publicar este ano na Antologia Infantil da Editora Flamingo]